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⟩ O Cenário na Obesidade no Brasil e no Mundo: Um desafio a ser vencido!

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. Estima-se que  no mundo 1,9 bilhão de adultos tenham sobrepeso, sendo que 600 milhões são obesos. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões, caso nada seja feito.

Hoje sabemos que a obesidade é uma doença crônica assim como o diabetes tipo 2 (DM2), a hipertensão arterial sistêmica (HAS), a depressão, o hipotireoidismo e tantas outras. E além disso, temos conhecimento que a obesidade é um fator de risco para todas as doenças citadas, além de inúmeras outras como apnéia do sono, doenças musculoesqueléticas (como osteoartrose, por exemplo), , infertilidade, neoplasias (câncer de mama, intestino, endométrio e intestino) e até mesmo para doenças degenerativas como a doença de Alzheimer.

De acordo com estudos publicados na revista Lancet, nenhum país conseguiu elaborar estratégias para reverter a epidemia de obesidade de forma consistente nos últimos 30 anos. No Brasil, por exemplo, a prevalência de obesidade cresceu em 60% nos últimos 10 anos de acordo com dados do Vigitel e hoje mais de 50% da população brasileira encontra-se fora do seu peso ideal.

O que justifica esta epidemia? Como podemos mudar esta história?

A Obesidade é doença sistêmica e multifatorial:

1) Genética: mais de 50% do nosso peso é determinado geneticamente;
2) Hormonal: existem vários hormônios intestinais envolvidos no controle do nosso apetite e temos mais  de 16  destes hormônios relacionados a saciedade e apenas 1 hormônio gastrointestinal  relacionado a fome- e mesmo assim é tão difícil emagrecer e manter o peso perdido;
3) Comportamental e psíquica: é comum utilizarmos a comida como uma válvula de escape para promover o alívio de ansiedade, tensão, depressão ou qualquer outro sentimento.
3) Relacionada ao nosso estilo de vida
Alimentos acessíveis, calóricos, relativamente baratos  e facilmente disponíveis

Sedentarismo: apenas 3 em cada 10 brasileiros praticam atividade física com regularidade. Coincidentemente . A atividade física se modificou [reduziu] nos anos 1960 e a epidemia da obesidade começou nos anos 1980. Porém, atualmente o brasileiro está se exercitando mais, e as taxas de obesidade continuam crescendo.

Estresse: estudos mostram que  A resposta biológica ao estresse crônico leva a mudanças hormonais no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, como aumento de Cortisol, adrenalina e noradrelanina e isto aumenta o risco de doenças cardíacas, ansiedade, fome , gula, busca por alimentos calóricos e altamente palatáveis e consequentemente obesidade.
Microbiota intestinal : as mudanças alimentares vivenciadas nas últimas décadas favorecem modificações na flora intestinal favoráveis a obesidade.

E talvez principalmente a mudança no padrão alimentar da população em geral, que nas últimas quatro décadas trocou a alimentação tradicional -composta principalmente por cereais, verduras e carnes – por alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras saturadas que fazem o alimento durar mais.

Estudo mostram que essa alteração no padrão alimentar tem consequências na região cerebral que regula a fome. A ingestão de gordura saturada gera uma inflamação no hipotálamo- nosso centro cerebral do apetite- que controla a fome e saciedade, e os neurônios começam a não regular tanto este processo: Fome aumenta e Saciedade diminui. Ou seja a predisposição  genética é importante mas o gatilho para a obesidade é o ambiente. Estamos sempre buscando um vilão e talvez precisamos buscar na verdade um herói, uma estratégia para mudar esta realidade.

Neste contexto surge o Projeto Médicos na Cozinha. Uma equipe formada por médicas endocrinologistas, psiquiatra, nutricionistas e uma chef de cozinha. Você sabia que o comportamento do médico é muito semelhante ao comportamento do seu paciente? Se o médico se vacina, passa protetor solar, se exercita,  faz exames preventivos, se alimenta, dorme bem, e procura ter uma vida saudável,  provavelmente o seu paciente também fará...Se o médico cozinha, o seu paciente também será estimulado a cozinhar. E isso o ajudará a iniciar uma mudança do seu estilo de vida. Vários estudos estão demonstrando a importância de se comer comida de verdade, feita em casa. Isso tem impacto positivo em vários parâmetros cardiometabólicos, pode até ter como resultado uma queda na mortalidade, e talvez seja uma das estratégias na luta contra a obesidade.

A grande maioria das pessoas que faz dieta retornam ao peso inicial depois de dois anos. Hoje, os estudos explicam que não é uma questão de empenho... O Hipotálamo é uma das regiões do cérebro que controla o nosso apetite, funciona como se fosse uma balança interna. Ele tenta adequar a nossa ingesta alimentar às nossas necessidades calóricas daquele momento. Ou seja, promover fome nos momentos em que o organismo precisa de energia e induzir saciedade nos momentos em que o organismo já está repleto de energia. Muitas vezes, o ser humano é capaz de burlar esse sistema, pois pode se alimentar mesmo sem sentir fome, apenas pelo prazer (recompensa positiva) ou utilizar o alimento para promover o alívio de ansiedade, tensão, depressão ou qualquer outro sentimento. O nosso cérebro  tem memória em relação ao peso e ele guarda como referencia o nosso peso mais alto e entende que defender este peso é necessário para manter o nosso corpo funcionando bem  caso contrário ele acha que estamos colocando a nossa saúde em risco. Por isso quando começamos um plano de emagrecimento com dieta restritiva e atividade física  e começamos  emagrecer  e o hipotálamo manda sinais para o nosso corpo para aumentar o apetite e diminuir o metabolismo ou seja tenta de toda forma nos levar de volta ao peso original. Por isso a luta para emagrecer e manter o peso perdido é desafiadora e o efeito sanfona  e tão frequente. Em vez de enfatizar apenas a perda de peso, precisamos enfatizar a construção de um estilo de vida saudável, e cozinhar é uma delas! Pois emagrecer, é muito mais que perder peso, é ganhar uma vida toda.


⟩ Nutrition Counseling in Clinical Practice

Despite overwhelming evidence that relatively small dietary changes can significantly improve health, clini- cians seldom discuss nutrition with their patients. Poor nutritional intake and nutrition-related health condi- tions, such as cardiovascular disease (CVD), diabetes, obesity, hypertension, and many cancers, are highly prevalent in the United States,1 yet only 12% of office vis- its include counseling about diet.2... Leia mais


⟩ Culinary Medicine: A Prescription for Healthier Eating

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⟩ Health-related Culinary Education: A Summary of Representative Emerging Programs for Health Professionals and Patients

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⟩ Innovation in Diabetes Care: Improving Consumption of Healthy Food Through a “Chef Coaching” Program:A Case Report

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⟩ Frequency of eating home cooked meals and potential benefits for diet and health: cross-sectional analysis of a population- based cohort study

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